LAMPROFILITA E NORMANDITA (LÅVENITA TITANÍFERA) EM NEFELINA SIENITOS AGPAÍTICOS DO MACIÇO ALCALINO DE POÇOS DE CALDAS (MG-SP): CARACTERIZAÇÃO MINERALÓGICA E PETROLÓGICA.

G.A.R. Gualda (1) & S.R.F. Vlach (2)
Departamento de Mineralogia e Petrologia, IG-USP

Lamprofilita e normandita (antiga låvenita titanífera), dois titanossilicatos de composição química complexa, aparecem nas rochas agpaíticas de Poços de Caldas como prismas de base losangular bastante alongados, de cristalização tardia, que formam agregados, por vezes radiados, que cortam a estrutura dos demais minerais; estão associados ou intercrescidos com cristais de egirina e rinquita com hábitos semelhantes. A lamprofilita, pleocróica em tons de amarelo, está sempre presente, com exceção das variedades de nefelina sienitos traquitóides do Corpo Lujaurítico-Chibinítico do Anel Norte, onde aparece a normandita, com pleocroismo invertido em tons de amarelo e laranja.

Análises químicas realizadas com microssonda eletrônica (WDS, 15kV, 45nA, 20m m) mostram que a lamprofilita é rica em TiO2 (24,6-30,4%), SrO (14,7-19,2% em peso), Na2O (9,5-11,5%), MnO (3,77-5,72%) e FeO (1,05-3,59%), com teores subordinados (1%) de CaO, MgO, BaO, K2O, Nb2O5, Al2O3 e F. A normandita apresenta altos teores de TiO2 (31,7-33,8%), CaO (16,0-17,7%), Na2O (8,53-8,95%), FeO (5,61-8,83%), MnO (6,11-8,22%), Nb2O5 (1,47-2,25%), F (2,67-3,46%) e ZrO2 (0,85-2,45%), e teores subordinados de SrO, BaO, K2O, MgO, Al2O3.

Comparados aos dados encontrados na literatura internacional, a lamprofilita mostra teores de SrO, MnO e, em parte, Nb2O5 entre os mais altos, enquanto os de BaO e FeO estão entre os mais baixos; no caso da normandita, os teores de TiO2, FeO e CaO são mais altos e os de Na2O pouco mais baixos.

De maneira geral, as relações de substituição não são claras, o que deve refletir uma relativa complexidade na forma de ocupação dos sítios presentes. Na normandita os teores de Fe e Mn mostram boas correlações, sugestivas de uma relação de substituição simples.

Perfis analíticos núcleo à borda foram obtidos em cristais de normandita e lamprofilita de amostras do Corpo do Anel Norte. Na lamprofilita, a tendência é de aumento, do núcleo para a borda, nos teores de Ba e Nb e diminuição de Fe, Mn, Mg e Ca. Na normandita Fe, Mg, Ti e F aumentam em direção à borda, enquanto Zr, Ba, Sr, Nb e Mn diminuem, conferindo um padrão oposto ao encontrado em minerais coexistentes como eudialita-eucolita e egirina (Gualda & Vlach, 1996 - 39ºCBG, 3:34-37).

Os padrões de variação observados caracterizam um zoneamento oscilatório aliado a uma tendência mais geral de aumento ou diminuição; este é o caso para Nb, Mg e Ba na lamprofilita, e para Ba, Zr, Sr e Nb na normandita. A formação deste padrão pode ser função de uma velocidade de crescimento do cristal maior que a de difusão no magma adjacente, ou de oscilações nas condições de cristalização (e.g. fvoláteis, P, T), esta última parecendo menos provável.

(1) Bolsista PIBIC/CNPq; (2) Orientador