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QUIMISMO
DE MINERAIS MÁFICOS DO MACIÇO GRANÍTICO GRACIOSA, PR: RESULTADOS E INFERÊNCIAS
PETROGENÉTICAS PRELIMINARES S.R.F. Vlach (1)
& G.A.R. Gualda (2) O Maciço Granítico Graciosa faz parte da Província Serra do Mar,
região Sul-Sudeste brasileira, formada por intrusões graníticas
Neoproterozóicas de tipo A (ca. 600-570 Ma). Aflora por 400 km2
a NE do Estado do Paraná, sendo intrusivo em rochas de alto grau e migmatitos
do Cráton Luis Alves (para SE) e da Faixa Ribeira (para NW). As facies
petrográficas compreendem sienogranitos (feldspato alcalino e plagioclásio
primários) meta-aluminosos (hornblenda + titanita + allanita + ilmenita) a
moderadamente peraluminosos (biotita ± hornblenda + titanita ± allanita
+ ilmenita + magnetita) e álcali-feldspato granitos (feldspato alcalino
primário) meta-aluminosos (hornblenda + titanita + allanita + ilmenita) a
peralcalinos, com anfibólios cálcio-sódicos, sódicos ao lado de titanita,
allanita, ilmenita e fluorita (cf. P. Kaul, 1997, Tese Doutorado,
IG-USP). Análises em microssonda eletrônica (WDS, 15 kV, 20 nA) foram efetuadas
para anfibólios e micas. Os anfibólios dos sienogranitos são cálcicos e
correspondem a Fe-hornblenda, hornblenda Fe-edenítica Fe-edenita e hornblenda
hastingsítica (mg# = 0,25-0,10); nos alcali-feldspato granitos metaluminosos,
o anfibólio é uma Fe-edenita (mg# = 0,15-0,10), que preserva núcleos
residuais de Fe-actinolita (mg# = 0,35-0,30). Os alcali-feldspato granitos
com tendência peralcalina, por sua vez, apresentam anfibólios com
núcleos cálcio-sodicos (Fe-winchita, mg# < 0,02) e bordas sódicas, de
arfvedsonita (mg# < 0,01), enquanto os tipicamente peralcalinos, contêm
apenas anfibólios sódicos com composições entre arfvedsonita e riebeckita
(mg# »
0). Diagramas de variação acentuam um gap composicional que separa os
anfibólios cálcicos dos cálcio-sódicos e sódicos. As biotitas têm composições comparáveis as verificadas em granitos de tipo
A aluminoso, correspondendo a annitas (2,0 < AlIV <
2,3). O número mg# varia progressivamente de 0,35 a 0,05 em direção aos tipos
mais diferenciados, acompanhado por leve acréscimo em AlIV. As texturas indicam que a cristalização dos anfibólios cálcicos e das
biotitas é precoce, em parte precedendo a dos feldspatos. As variações
composicionais dos anfibólios são descritas pelas substituições edeníticas
e tchermakíticas e, nas rochas com paragênese adequada, o teor de Alt
indica pressões de cristalização de 2-3 (± 0,5) kbar. Já nas rochas de tendência
peralcalina o anfibólio é tardio, interstitical a feldspato alcalino e
quartzo, enquanto que nas peralcalinas co-cristaliza com estes. Em ambos os
casos, a variabilidade composicional é compatível com substituições CaAlIV
= NaSi e Fe3+ = NaAFe2+. O quimismo dos anfibólios indica duas linhagens contrastadas no
Maciço, uma comparável aos granitos de tipo A aluminosos, outra aos granitos
de tipo A peralcalinos, não relacionadas por mecanismos simples de
diferenciação. Os dados geológicos e petrográficos (e.g., granitos hipersolvus
vs. subsolvus) mostram que enquanto a primeira invade principalmente
rochas do Cráton Luis Alves, a segunda invade rochas da Faixa Ribeira,
reforçando a hipótese de que as características das rochas encaixantes (e.g.,
mais anidra vs. mais hidratada; mais fértil vs. mais residual)
exercem papel importante na evolução destes granitos. (1) Orientador;
(2) Bolsista FAPESP |